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Inspiring Alumni - Miguel Midões (Comunicação Social)

Quinta, 1 Fevereiro, 2018

A Escola Superior de Educação do Politécnico de Coimbra tem uma grande comunidade de alumni de que a instituição se orgulha e que são por inerência os seus embaixadores.

Miguel Midões é o primeiro entrevistado do Projeto Inspiring Alumni, testemunhando a sua experiência académica na ESEC e o o seu percurso profissional.

Miguel Midões é Licenciado em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Coimbra. Mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Doutorando em Ciências da Comunicação.

Jornalista na TSF - Rádio Notícias

Docente na Escola Superior de Educação de Viseu

 

ESEC- Após a conclusão do curso quais foram as atividades profissionais que exerceu?

Miguel Midões - O meu primeiro contacto com o mundo profissional foi durante o estágio na Antena 1 - Porto em 2004. Foi naquela altura que confirmei o meu gosto e o meu total interesse pela rádio. Sabia que seria muito complicado conseguir um contrato com uma rádio nacional, por isso estabeleci uma estratégia. Enviei currículos apenas para rádios locais do interior do país. Se existe uma fuga do interior para o litoral, talvez “remando” contra a tendência surgisse a minha oportunidade. E surgiu.

No início de 2005 estava a iniciar o estágio profissional na Rádio Onda Livra Macedense, de Macedo de Cavaleiros. Cheguei como estagiário a esta rádio que fazia parte da CIR - Cadeia de Informação Regional, composta por mais sete rádios, que, em conjunto, cobriam informaticamente toda a região de Trás-os-Montes e Alto Douro. No total, a redação CIR era composta por 12 jornalistas.

Acabei por ficar como jornalista em 2006 no final do estágio profissional.

Um ano depois (2007) fui convidado para editor de fim-de-semana, tendo estado assim durante um ano. Em 2008 assumi na CIR a edição principal dos noticiários.

Saí em 2013, estando na TSF desde 2014.

Em paralelo apostei sempre na minha formação académica. Em 2010 concluí o mestrado e comecei a dar aulas no Instituto Superior Jean Piaget ao curso de Ciências da Comunicação e Marketing e, desde 2016 que sou docente na Escola Superior de Educação, do Instituto Politécnico de Viseu, onde leciono Atelier de Rádio, História dos Média, e Estudos Interculturais.

 

 

O Curso de Comunicação Social da ESEC correspondeu às suas expectativas?

Miguel Midões - Completamente. Confesso que tinha muitos colegas que criticavam o curso, mas eu não os compreendia. E, no fundo, no final do curso tirei daí uma conclusão: eles não sabiam o que queriam como percurso profissional e como futuro. Daí que o curso de comunicação social não lhes servisse.

Foi nele que encontrei bases importantíssimas para aquilo que hoje pratico no meu dia-a-dia. Um curso tem que nos dar ferramentas e mostrar como se utilizam para que possamos trabalhar com elas. Depois, o que se consegue construir com essas ferramentas só depende de cada um.

 

Quais considera serem os pontos fortes do curso?

Miguel Midões - A fusão entre a prática e a teórica. A componente prática é fundamental para nos esclarecer eventuais dúvidas de percurso, ou seja, para nos clarificar o caminho que queremos seguir: rádio? televisão? Imprensa? Criação de conteúdos? Guionismo? Se nunca pratiquei nada disso como posso saber o que quero verdadeiramente fazer?

Absorvi cada momento do curso. Das cadeiras teóricas às cadeiras práticas.

Na minha altura, o curso de Comunicação Social era de quatro anos. Os primeiros dois muito teóricos (a quase totalidade), o terceiro um pouco mais prático, e o último completamente prático. Durante as cadeiras teóricas ansiava pelas práticas, mas hoje reconheço que foi nelas que consegui as maiores bases para o trabalho diário: na sociologia, na psicologia, na teoria da comunicação, na história. Só lhes damos o verdadeiro valor depois no mundo profissional.

 

Como avalia a experiência de ERASMUS?

Miguel Midões - Muito interessante. Maravilhosa. Única.

Só me arrependo de apenas uma coisa. De ter ido no segundo semestre e por isso não ter tido a oportunidade de prolongá-la. E, talvez me arrependa um bocadinho de ter jogado pelo seguro.

Fiz ERASMUS em Nice (França), na Faculdade de Letras, Artes e Ciências Humanas, da Universidade Sophie Antipolis. Na atura foi a minha primeira opção. Era excelente aluno a francês e como ia para um país desconhecido e sozinho achei que o melhor seria ir para um local onde se falasse uma língua que dominava minimamente bem. Hoje, 14 anos depois, teria optado por qualquer uma das outras duas opções: Groningan (Holanda) ou Varsóvia (Polónia). Teria sido mais difícil o início por causa da língua, mas teria saído com uma valência ainda maior.

Ainda assim, recomendo a qualquer um que passe por uma experiência destas. Enriquece-nos culturalmente pela partilha que temos diariamente com colegas de outras nacionalidades, confere-nos uma autonomia incrível (crescemos, pelo menos, dois palmos), faz-nos ver a ver de outra maneira, e sobretudo faz-nos (pelo menos a mim fez) valorizar aquilo que somos e aquilo que temos em Portugal. Por exemplo, fiquei a perceber que quando compararmos França com Portugal não podemos dizer que cá temos burocracia… :)

Quais as melhores recordações que guarda da ESEC?

Miguel Midões - A minha turma. Eramos extremamente unidos. Ainda somos. Somos quase todos amigos pessoais (não apenas de facebook). Continuamos a ver-nos tantos anos depois.

De alguns professores. Muitos aliás. Correndo o risco de falhar com alguns, mas são inesquecíveis, pelas mais diversas razões: Carla Patrão, Sara Meireles, Sílvio Santos, Francisco Amaral, Natália Pires, Dina Cristo, Álvaro Vieira…

Mas, brincando agora um pouco, até porque nos vai ficar na memória para sempre: o inesquecível Pólo II com os aquecedores a zimbro, a luz que ía abaixo quando começavam a fritar na cantina, os baldes de água na hall do auditório do Pólo I. Até as coisas menos boas são hoje recordadas com saudades e com uma (boa) nostalgia.

Que sugestões gostaria de dar para melhorar a ESEC?

Miguel Midões -Que fizessem os seminários em dia que possa ir assisti-los (brincadeirinha…). Tem-me agradado imenso o dinamismo.

Acho que devem apostar numa vertente mais profissionalizante dos cursos. Workshops paralelos que colmatem eventuais necessidades do curso. Por exemplo, na minha atura tive de fazer formação de fotografia à parte porque o curso não tinha. Tive de fazer formação de paginação de jornais porque o curso não tinha…

Que conselho daria a um atual aluno de Comunicação Social para uma melhor integração no mercado de trabalho?

Miguel Midões -Sonhar alto, mas voar com os pés assentes na terra. Parece um contra-senso, mas não é. Quando nasce um pássaro começa logo a fazer grandes voos? Não, claro que não. E, muito provavelmente vai cair nas primeiras vezes.

Poderá haver um ou outro que consiga ir diretamente para um meio de comunicação nacional e partir daí para uma carreira brilhante, mas isso é cada vez menos provável na tirania dos dias que correm.

Aconselho muita humildade, mas também muita atitude, e sobretudo definição daquilo que verdadeiramente querem, e que verdadeiramente lhes interessa.

Humildade para começarem de baixo, em pequenos meios. No interior, porque não? Atitude e responsabilidade, porque sem ela nunca conseguirão fazer um bom percurso. Definição porque quanto mais concentrados num determinado objetivo, e menos dispersos estiverem, mais facilmente conseguirão brilhar nesse caminho.

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