Escola Superior de Educação Politécnico de Coimbra
ESEC Politécnico de Coimbra
A ESEC
Estudar
Investigar / Transferir
Menu secundário
Imagem

Alunos de Teatro e Educação apresentam "Enquanto os Lobos Uivam…. "

Quarta, 10 Janeiro, 2018

“Enquanto os lobos uivam” é o projeto da turma do 3º ano da licenciatura em Teatro e Educação (ESEC), em parceria com O Teatrão que estreia a 19 de janeiro, na Oficina Municipal do Teatro, com temporada a decorrer até 28 de janeiro.

Este espetáculo, desenvolvido no âmbito da unidade curricular de Projeto de Intervenção, tem a direção dos docentes António Fonseca e Pedro Lamas, e terá a participação em palco dos treze alunos finalistas do curso. Pela primeira vez desde há largos anos, o resultado deste projeto será levado em digressão, entre Fevereiro e Abril, às várias terras natais dos alunos desta turma de finalistas. A procura das raízes, da ruralidade e o contraste entre litoral e interior, de onde são naturais a maioria destes alunos, são aliás algumas das essências que compõem este espetáculo do Projeto de Intervenção, um espetáculo que é feito de pantomima, lendas, mitos e histórias populares.

DOSSIER DE APRESENTAÇÃO

ENQUANTO OS LOBOS UIVAM
O conflito de um Portugal a dois tempos, do interior e do litoral, do campo e da cidade, dá o mote para este projeto. O universo em que mergulhamos é, portanto, imenso. Mas antes, a perspetiva da qual partimos não se coaduna com a preservação museológica de algo que se esteja a perder, nem com a panfletarização da questão: nem temos saudades dos tempos em que não havia eletricidade ou wi-fi, nem somos partidários de uma demonização da cidade em oposição à vida “tranquila” do campo, nem tão pouco nos colocamos na perspetiva de “desenvolvidos” debruçados sobre “coisas primitivas”. Encaramos a contemporaneidade destes dois mundos, e como tal, reconhecemos que os demónios existem, tanto num como noutro. Assim como os anjos. Será possível trabalharmos sobre ambos? E como se faz?
Mexer com um reportório arquetípico, que lida com aspetos de especificidade regional, local, ao mesmo tempo que ecoa e convoca um imaginário popular e transversal a todos, é uma das linhas de trabalho que interessa desenvolver com os alunos. Saber que chegamos até esse material com olhos do séc. XXI, levanta questões com as quais eles sempre se debaterão no futuro, como fazedores de teatro. E neste ponto da sua formação, desenvolver no aluno a consciência destas questões é sumariamente mais importante do que trabalhar a sua resolução.
Conspirou o destino para que se juntasse nesta turma de finalistas de Teatro e Educação gente que vem do Norte, do Centro e do Sul do país. Gente oriunda dos quatro cantos de um Portugal interior, tantas vezes desconhecido como distante. Ao combinar a sua origem com as competências artísticas adquiridas no seu percurso formativo, esta gente trabalha para encurtar essa distância, consciente de que o material com que este projeto lida está, de certa forma, incrustado na sua naturalidade.
“Enquanto os Lobos Uivam” só poderia ter sido feito a partir da herança material e imaterial destes sítios de origem. Uma herança de todos nós, que a estes finalistas de teatro coube recolher, resgatar, tratar e transformar. E se assim é, é só justo que persigamos a possibilidade de devolver às nossas terras natais aquilo que elas, tão generosamente e durante tanto tempo, nos têm oferecido.

SINOPSE
Há música, há canções e há números cómicos para todos os gostos: para o menino e para a menina, para a mãe e para a avó, para o solteiro e para o casado, e nem o cão e nem o grão escapam a este torvelinho de sensações. A apresentação deste grupo de pantomineiros corre (quase) às mil maravilhas, até que os lobos se dão a conhecer. Munidos de coragem e vontade, os pantomineiros decidem que só a arte de contar histórias pode manter acesa a fogueira que afasta o perigo. Com as tropelias e habilidades próprias do seu ofício, abrem as suas trouxas para combater as bestas que lá fora rondam, e atiram-se à fantasia: jogam receios, conflitos, despertam paixões e vinganças, viajam até terras lá lá longe, descobrem o amor e a alegria, de alma quente e coração apertado, enquanto os lobos uivam.


TEATRO E EDUCAÇÃO, PROJETO DE INTERVENÇÃO

A licenciatura em Teatro e Educação da Escola Superior de Educação de Coimbra nasce no ano 2000, como resposta de qualificação profissional ao processo da descentralização teatral que, passados dezoito anos, ainda hoje nos apresenta desafios. O objetivo deste curso continua, desde então, formar um profissional de teatro que perfile a conjugação da competência profissional de fazer teatro com a de, ao mesmo tempo, ensinar teatro, em espaços tradicionalmente reconhecidos, noutros já existentes mas não convenientemente investidos e, ainda, noutros a inventar.
Hoje encontramos, de norte a sul do país, inegáveis contributos dos profissionais aqui formados para o desenvolvimento dos territórios onde se fixaram, seja pela criação de projetos teatrais profissionais onde não os havia, seja pela assistência que encetam à dinamização cultural dos territórios, seja pela intervenção teatral que concebem em contextos locais, convocando a participação das comunidades na defesa e enriquecimento do seu património.
A cadeira Projeto de Intervenção, do último ano do curso de Teatro e Educação, desempenha um papel fundamental na formação deste profissional: é aqui que a consolidação das competências adquiridas se começa a forjar; é aqui que, pela primeira vez, os alunos aliam o seu conhecimento técnico, fruto de abordagem sistemática ao fazer teatral e à sua função social, à prática orientada, dirigida a uma comunidade específica.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Título: Enquanto os Lobos Uivam
Texto: do grupo, a partir de recolhas do reportório tradicional português, Bocaccio, Mário Vargas Llosa, Ruy Belo, Luísa Ducla Soares, recortes de imprensa e redes sociais
Elenco: Ana Bandeira, Catarina Lemos, Diogo Carvalho, Fran Navarro, Joana Gomes, João Marques, João Palhares, Manuel Petiz, Márcia Borges, Miguel Cadima, Rafa Alves, Sofia Coelho e Sofia Encarnação
Direção: António Fonseca e Pedro Lamas
Desenho de Luz: Jonathan de Azevedo
Consultoria de Cenografia e Figurinos: Filipa Malva
Direção Musical e Preparação Vocal: Cristina Faria
Apoio Musical (Harmónicas): Emanuel Taborda (Cornalusa)
Apoio ao Movimento: Cristina Leandro
Grafismo: Paul Hardman (Teatrão)
Fotografia: Carlos Gomes (Teatrão)
Direção de Produção: Isabel Craveiro (Teatrão)
Produção Executiva: Diogo Carvalho e Joana Gomes
Comunicação: Catarina Lemos e Sofia Coelho
Operação Técnica: Carlos Vieira (aluno do 1º ano do curso de Teatro e Educação)
Classificação etária: Maiores de 12 anos
Duração: aprox. 70 min
Produção: ESEC em Co-Produção com o Teatrão 2018
Temporada: De 19 a 28 de janeiro 2018, Oficina Municipal do Teatro (Coimbra)

 

entrada: 4€ preço único
entrada livre para: alunos, professores e funcionários da ESEC
+info e reservas: 912511302

ANTÓNIO FONSECA

Curso de Filosofia e Curso de Formação de atores do CC Évora. Ator desde 1977. Tem participado, a par de trabalhos na televisão e cinema, em vários espetáculos de teatro como Watting for Godot, de S. Beckett, Toda a cidade ardia ,de Marta Dias (texto e encenação);Força Humana ( a partir de Os Lusíadas) com José Neves (2016); Frei Luís de Sousa, de A. Garrett, enc. Rogério de Carvalho (2016); Ricardo III, de W. Shakespeare, enc. Tónan Quito (2015) Cais Oeste, de B.-M. Koltès, enc. Ivica Buljan (2014); O Contrabaixo, de P. Suskind, enc. António Mercado (2014); O Preço de A. Miller, enc. João Lourenço (2013), alguns dos quais lhe valeram nomeação para melhor ator para os Globos de Ouro. Em 2008 começou a decorar Os Lusíadas cuja versão integral apresentou, em 2012 na Capital Europeia da Cultura (Guimarães) e posteriormente noutros pontos do país. Em 2016 lança o audiolivro Os Lusíadas como nunca os ouviu, com a gravação integral da obra de Camões. É professor no Curso de Teatro e Educação da ESEC, desde 2000, onde já dirigiu vários espetáculos.

PEDRO LAMAS

Ator e professor de teatro. Tem a licenciatura em Teatro e Educação pela Escola Superior de Educação de Coimbra (2006). Trabalhou com os encenadores João Brites (Teatro O Bando), Jorge Silva Melo (Artistas Unidos), Luís Miguel Cintra, Christine Laurent (Teatro da Cornucópia), Antonio Mercado, Marco Antonio Rodrigues, Ricardo Correia, Isabel Craveiro, João Paiva, Mário Montenegro (marionet), Norberto Barroca (T.E.P.) e Lígia Lebreiro (Cia. Persona), entre outros. Dirigiu os espetáculos Triste Sina de Uma Coisa Feliz e À Direita de Deus Pai (Trincheira Teatro) e Eu sou o Outro (Teatro em Caixa). É sócio fundador da Trincheira Teatro e sócio do CENA-STE.

 

Fotografias: Carlos Gomes (Teatrão)

‹ Voltar